quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Uma Questão Pessoal

“Uma questão pessoal” (2017) filme franco-italiano. Direção e roteiro é dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani. A história acontece no verão de 1943, em Piemont, na Itália, Milton, um jovem estudante, se apaixona por Fulvia, mas a moça demonstra não sentir o mesmo e parece brincar com seus sentimentos. Um ano depois, Milton entra para a resistência italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Fulvia deixa a Itália para fugir da guerra. 

Enquanto luta na resistência, em um cenário de guerra desolador, Milton descobre que Fulvia está apaixonada por seu melhor amigo Giorgio. Mergulhado num sentimento de ciúme, Milton decide ir ao encontro do amigo, que também luta na resistência na região Italiana de Langhe, mas Milton descobre que Giorgio foi capturado pelos fascistas. Assim, Milton procura um membro do exército fascista que tenha sido capturado pela resistência para trocar por Giorgio, em busca de descobrir a verdade sobre o romance entre o amigo e Fulvia.

O filme da bastante  visibilidade a guerra no interior da Itália, um cenário ainda pouco abordado nos filmes sobre a Segunda Grande Guerra. Mostrando a morte de famílias camponesas inteiras, inclusive crianças. Em um cenário tão desolador, o amor e a esperança de voltar a encontrar Fulvia é o que parece motivar Milton a se manter vivo durante a guerra. Contudo, a descoberta do romance entre Fulvia e Giorgio deixa Milton desnorteado e obcecado por respostas. 

Por fim, depois de escapar com vida de um confronto direto com o exército fascista, Milton concluí que quase morreu devido ao seu ciúme, e fica feliz em continuar vivo. O filme é um excelente instrumento para conhecer o movimento  de resistência ao fascismo no interior da Itália.



segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A Sociedade Literária e a torta de Casca de Batata

“A Sociedade Literária e a torta de Casca de Batata” (2018) é uma produção original Netflix, e a direção é de Mike Newell. O longa conta a história da escritora Juliet Ashton (Lily James), logo após a segunda Guerra Mundial a jovem escritora está sem inspiração para escrever seu próximo livro, até receber uma carta inesperada de uma misteriosa Sociedade Literária de Guernsey.

Curiosa para  conhecer mais sobre a Sociedade e seus membros, Juliet embarcou para a ilha de Guernsey, onde conheceu os membros da Sociedade, entre eles, Dawsey (Michiel Huisman). Depois de conhecer a todos e participar da reunião, Juliet se sentiu inspirada para voltar a escrever, mas para sua surpresa Amélia Maugery (Penélope Wilton), uma das integrantes não quis ter sua história contada, é nesse momento que a jovem escritora se interessa por conhecer melhor cada integrante da Sociedade e suas histórias.

Juliet descobre que a ocupação do exército nazista na ilha de Guernsey havia marcado para sempre as trajetórias de vida de cada um dos membro, os encontros, a leitura e os livros construiu entre eles laços de amizade inseparáveis. Assim, aos poucos sem perceber Juliet também se torna membro da Sociedade.
O filme fala sobre a guerra, sobre as perdas humanas, sobre os horrores da ocupação nazista, mas fala, principalmente, sobre amizade, amor e humanidade.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O Mistério do Relógio na Parede

Dica de filme
“O mistério do relógio na parede” é um filme de Eli Roth, consagrado pela direção de filmes de terror como “Albergue” e “A Cabana do Inferno” Eli Roth acertou em cheio na adaptação da literatura infanto-juvenil de John Bellairs. O filme conta a história do jovem Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro) que após perder os seus pais em um acidente de carro é obrigado a morar com tio Jonathan (Jack Black), em Michigan. O tio é divertido, mas muito misterioso e sua casa é digna de filmes de terror, com brinquedos tenebrosos e móveis vivos. Na vizinhança a casa é conhecida como mal assombrada. Sra. Zimmermann (Cate Blanchett) é vizinha e amiga do tio e se torna quase uma mãe para o jovem Lewis, ela e o tio estão sempre conversando em segredo até o jovem descobrir que os dois são feiticeiros. Logo, Lewis descobre que das paredes da casa saem um barulho ensurdecedor quase impossível de ser silenciado, o mistério do som emitido pelas paredes foi deixado pelo antigo dono da casa, um feiticeiro muito poderoso e muito perverso.  O filme tem elementos de terror explícito capazes de abranger ao público de qualquer idade, o traço humorístico de Jack Black oferece o contraponto entre uma cena e outra. O filme se passa em 1955, e o contexto de pós Segunda Guerra Mundial ajuda a contar a história. A direção de arte está de parabéns pelo cenário e figurino. O filme como um todo é muito bom ser assistido.




sábado, 22 de setembro de 2018

Crô em família

Dica de filme
"Crô em família" (2018) é estrelado por Marcelo Serrado, direção de Cininha de Paula, e roteiro original de Aguinaldo Silva. O personagem Crô foi coadjuvante na novela Fina Estampa de Aguinaldo Silva em 2010, em 2013 virou filme. E agora retorna as telonas sem referências ao primeiro longa. Neste filme o ex-mordomo abriu sua própria escola de etiqueta e finesse, no entanto, o personagem está sozinho e carente devido ao fim do segundo casamento e perda da cachorrinha que ficou com o seu ex-marido. No momento em que o personagem passa por uma situação carência e vulnerabilidade, chega a sua casa pessoas que dizem ser sua família biológica e ele os acolhe e passa a ensinar regras de etiqueta confiante de que encontrou a sua família, contudo, a sua mãe Marinalva interpretada por Arlete Sales só demonstra estar interessada no seu dinheiro. Como antagonista Crô enfrenta a blogueira Carlota Valdez (Monique Alfradique) que faz de tudo para descobrir e publicar a sua vida pessoal. Crô é cercado por fiéis escudeiras, Almerinda (Rosi Campos), Geni (Jefferson Schroeder), e Magda (Mary Sheila). O filme tem um roteiro simples e muitas referências as novelas de Aguinaldo Silva, como "Mulheres de areia", o filme tem a participação de Preta Gil e Pablo Vitar (que não acrescenta nada a história). No fim, literalmente a última cena, Crô adota a sua suposta prima adolescente (Mel Maia), e explica que família não é formada apenas por laços de sangue, mas que existem diversas formas de família, inclusive as que escolhemos escolhemos no coracao, e essa mensagem encerra o filme, e deixa um recado bem atual.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O Predador (2018)

Dica de filme
“O Predador” (2018) longa dirigido por Shane Black. É o quarto da sequência. O filme de ação e suspense, tráz destaque para a ficção científica, pois os caçadores mais letais do universo estão fazendo experimentos e se aperfeiçoando geneticamente  com DNA de outras espécies alienígenas. Assim criaram uma nova espécie de predador.  O novo filme da franquia  mostra o confronto de dois tipos distintos de predadores. Pois, assim como Prometeu presenteou a humanidade com o fogo, um predador disposto a ajudar os humanos trouxe a terra algo que poderia equilibrar a balança contra os caçadores  extraterrestres. Um grupo de ex-soldados, junto com uma professora doutora em evolução genética enfrentam os predadores e ajudam a proteger um menino (Jacob Tremblay) que encontrou o equipamento de um Predador e disparou um localizador que os  traz de volta a terra. Não é o melhor filme da franquia, é mais dialogando e as tradicionais cenas de ação tem menos espaço, porém o longa abre caminho para novos filmes da sequência.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Gauguin - Viagem ao Taiti


"Gauguin – Viagem Ao Taiti" é um filme Francês de 2017, dirigido por Edouard Deluc. O filme conta parte da vida do pintor pós-impressionista francês Paul Gauguin.

Gauguin (Vincent Cassel) assim como outros pintores pós-impressionistas enfrentavam muitas dificuldades para vender seus quadros, pois havia uma grande resistência do público consumidor de obras de arte em adquirir quadros que se opunham a estética tradicional então estabelecida.

Em 1891, Gauguin deixou a esposa, fillhos e amigos na França e viajou ao Taiti, então colônia francesa, lá ele pretendia começar uma vida nova, se dedicar a pintura livre dos códigos morais, políticos e estéticos da Europa civilizada. No Taiti, Gauguin se deparou com uma vida bem diferente do que tinha imaginado, teve que aprender a conviver com a natureza, enfrentar a solidão, pobreza e a doença.

Em meio a natureza e a um estilo de vida totalmente diferente do que estava habituado na França, Gauguin conheceu a Tehura, uma jovem nativa por quem se apaixonou, ela se tornou sua esposa e tema de suas principais pinturas. O longa mostra a imensa paixão que Gauguin sentia pela arte, sua necessidade de produzir algo que fosse original.

A fotografia do filme merece destaque pois mostra a exuberância da natureza, e a imponência desta sobre os homens se opondo a paisagem urbana da cidade parisiense. Infelizmente, Gauguin morreu antes que sua obra fosse reconhecida. A atuação de Vincent Cassel da intensidade necessária a vida angustiada de Gauguin.


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

FERRUGEM

"Ferrugem" (2018) filme nacional, dirigido por Aly Muritiba. O roteiro é uma parceria entre Muritiba e Jessica Candal . É um filme com uma linguagem jovem e atual. O longa conta a história de Tati (Tifanny Dopke) uma jovem estudante do Ensino Médio que faz uso das redes sociais, é popular, comunicativa, e está paquerando com Renet (Giovanni de Lorenzi), um garoto que estuda na mesma sala. Renet é introspectiva, fechado e fala pouco. Durante uma visita da escola ao Aquário no Rio de Janeiro, Tati que está interessada em Renet deixa o garoto olhar a galeria de arquivos do seu telefone, mas ele encontra um vídeo que a jovem gravou com o ex-namorado, porém, Tati não deixa que Renet veja o vídeo. Em seguida, Tati perde o celular e assim tem início a trama do filme.
O filme é dividido em duas partes, a primeira conta sobre como a vida de Tati se tornou difícil depois que ela teve seu vídeo íntimo divulgado nas
redes sociais. Mostrando como a escola se tornou um lugar hostil após a circulação do vídeo, forçando-a ao isolamento social, os seus pais não aparecem o que revela um distanciamento familiar. O sofrimento da jovem é levado as últimas consequências. A segunda parte dá destaque a vida de Renet, contada de forma cadente revelando aos poucos a personalidade do garoto, filho de pais separados, o jovem ainda não aceitou bem o fastamento da mãe. Mora com o pai e a irmã, e convive com o primo que tem uma personalidade que é o oposto da dele. A relação entre a primeira e segunda parte do filme podem ser entendidas como causa e consequência.
O filme trata o tema suicídio não com destaque ao ato em si, mas tratando o tema sob outros aspectos, a pressão social do grupo, a necessidade de ser aceito, a hostilidade juvenil, e sem dúvida o machismo que perpassa todos os rótulos que são impostos a Tati após a divulgação do vídeo, ao mesmo tempo em que seu ex-namorado, que também aparece no vídeo não sofre o mesmo julgamento moral. A montagem, direção de arte e os enquadramentos de câmera funcionam muito bem para contar essa história de forma original e envolvente.
O filme mostra a relação dos jovens com a internet e a redes sociais, e demonstra como a realidade virtual atualmente é tão importante quanto a própria realidade, como o aparelho celular se tornou parte do que é ser jovem e adolescente na atualidade, a necessidade de postar a própria vida nas redes sociais faz parte da necessidade de ser reconhecido como individuo e ser aceito pelo grupo. Apesar de mostrar os efeitos nocivos da internet o filme não se opõe as redes sociais, mas alerta sobre as consequências do seu mau uso.
"Ferrugem" é um filme intenso e desmistifica a ideia que o suicídio é a ação livre e voluntária de um individuo, pois de forma bem didática revela como o bullying levado as últimas consequências pode ser devastador. O longa foi (merecidamente) o ganhador do prêmio "Kikito de Ouro" no festival de Gramado 2018.

Uma Noite de 12 anos

“Uma noite de 12 anos” (2018) filme de Álvaro Brechner. Uma  produção Argentina, Uruguaia e Espanhola, aborda o período em que José Mujic...